domingo, 15 de novembro de 2020


Ontem, indo para o trabalho, não li as páginas de um livro.

Nem busquei nada na internet.

Preferi contemplar as belezas até então ignoradas, no caminho por onde passo todos os dias.

O belo desenho do contorno daquela árvore.

A janela diferente naquela casa antiga.

O vislumbre daquele morro ainda verde em meio aos feios e frios edifícios cinzas.



eu (agosto de 2019)

sábado, 14 de novembro de 2020

sexta-feira, 13 de novembro de 2020


O que a cada momento me afasta do que realmente sou é a mente que se interpõe.

Mas nada pode me afastar do que realmente sou.


eu

quinta-feira, 12 de novembro de 2020


Há que se nascer a cada momento. Há que se ser novo, inédito a cada instante. Pois se assim não for, sempre reagiremos movidos por nossos condicionamentos, por nossa história, nossa criação, pelas experiências vividas e as influências recebidas. Mas tudo isso é ilusório. Tudo isso foi criado, construído – e qualquer criação e construção baseia-se em premissas também ilusórias. Sim: qualquer opinião, conclusão, certeza, alicerce, patamar, é fundamentalmente ilusório. Assim, nunca vemos as coisas com o frescor da primeira vez. Não as vemos verdadeiramente. O que vemos é sempre nossas interpretações condicionadas sobre as coisas em si.


eu

quarta-feira, 11 de novembro de 2020


De onde vem a vida e para onde ela vai?


A lei universal é que não há nascimento e não há extinção. Por isso, quando se transcende o tempo e o espaço, não há nada que surja e depois desapareça, incluindo a vida.

Chamamos esse não-surgimento e não-extinção por vários nomes - o supremo, o absoluto, o reino do Dharma, a causalidade, a natureza eternamente permanentes, o Dharmadhatu, o Dharma. Existem mil nomes diferentes, mas os significados são todos iguais. Todos eles são a base do universo e a base da iluminação suprema do Buda, que viu que nada surgia, nada se extinguia.


Seongcheol (1912 a 1993)

terça-feira, 10 de novembro de 2020


Este mundo de ilusão é um grande sonho. Somente quando todos os elementos remanescentes dessa ilusão são varridos, é que alguém desperta desse sonho. Então, e só então, você vê sua verdadeira natureza de Buda.

Você nunca é um ser desperto, você não é uma pessoa livre antes dessa Iluminação Suprema. A liberdade de que as pessoas tanto falam é liberdade em meio a um sonho; mas apenas uma pessoa totalmente iluminada é verdadeiramente livre.

Um ser iluminado, um Buda, um ser livre, é aquele que despertou completamente, alguém que experimentou a não-mente, alguém que viu a Grande Realidade. Somente esse ser é verdadeiramente livre.



Seongcheol (1912 a 1993)

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Por eu facilmente ficar chateado e agitado, isso mostra que não tenho a mente de renúncia. A mente de renúncia de certo modo é bem simples. Temos mente de renúncia quando compreendemos que tudo isso não é grande coisa. Alguém pisa em seu dedão, qual a grande coisa aí? Quanto mais nos acostumarmos com essa ideia, mais temos mente de renúncia.

A renúncia de algum modo tem essa conotação de abrir mão de algo. Mas é como o exemplo de uma miragem. Você não pode abrir mão da água porque não há nenhuma água; é só uma miragem. Além disso, você não precisa abrir mão de uma miragem porque qual é o sentido de abrir mão de uma miragem? A pessoa simplesmente só precisa saber que é uma miragem. Tal compreensão é uma grande renúncia.

A mente de renúncia não tem nada a ver com sacrifício. Como já mencionei, quando falamos sobre renúncia, de algum modo ficamos todos assustados porque pensamos que temos que abrir mão de alguns bens, algo valioso, algumas coisas importantes. Mas não há nada que seja importante; não há nada que solidamente exista. Tudo que você está abrindo mão é, na verdade, uma vaga identidade. Você compreende que isso não é verdadeiro, não é absoluto; é esse o modo e o porquê de desenvolver renúncia.

 

Dzongsar Khyentse Rinpoche



domingo, 8 de novembro de 2020


Quando a mente e o corpo forem espontâneos, você terá alcançado o Caminho e conhecerá a Mente. Conhecerá a fonte original.


Huang-po

sábado, 7 de novembro de 2020



Se você é pacífico, o seu entorno se torna pacífico, as situações se tornam pacíficas e as pessoas ao seu redor se tornam pacíficas. Você é o centro desse universo. Por que você está procurando por paz em qualquer lugar, com qualquer um, e qualquer outro cenário? Para qualquer lugar que vá, levará sua própria mente. E para qualquer lugar que vá, você criará as mesmas tempestades. A não ser que você compreenda, perceba e observe isso, nada vai ajudar a longo prazo.


Ravi Shankar
(comentário sobre o Ashtavakra Gita)

sexta-feira, 6 de novembro de 2020


Gostaria de ajudá-lo fazendo propaganda de seus ensinamentos. Você pode aconselhar a melhor maneira?

Ser um propagandista é ser um mentiroso. Porque a propaganda é meramente uma repetição, e repetição, mesmo de uma verdade, é sempre mentira. Quando você repete o que considera a verdade, ela deixa de ser a verdade. Repetição não tem valor, ela apenas embota a mente, e o que você repete acaba tornando-se uma mentira. Você não pode repetir a verdade, porque a verdade nunca é estática e nem constante. A verdade é um estado de experiência, e o que você pode repetir é um estado estático; portanto, não é a verdade.


Krishnamurti

quinta-feira, 5 de novembro de 2020


Você precisa abrir o olho do coração, o olho que vê tudo claramente.

E uma vez que você abra esse olho, perceberá que já era Buda antes da criação e que é e sempre será iluminado.

É isso que significa ver sua natureza búdica, sua face original. Depois de abrir os olhos e ver tudo como tudo é, perceberá que "montanhas são montanhas e águas são águas.


Seongcheol (1912 ~ 1993)

quarta-feira, 4 de novembro de 2020


Por mais pesada que seja a mão do destino, ela pode ser afastada com paciência e autocontrole. Integridade e pureza removem os obstáculos, e a visão da realidade aparece na mente.

Entenda que você não é a pessoa que acredita ser. O que você pensa ser é pura sugestão ou imaginação. Você nunca nasceu e nunca morrerá. Quando você sabe que não é nem corpo nem mente, você não se deixa levar por eles. Você seguirá  a verdade, onde quer que ela o leve, e fará o que tem que ser feito, seja qual for o preço a ser pago.


Nisargadatta Maharaj

terça-feira, 3 de novembro de 2020


As pessoas não têm a iluminação como meta. Eles têm a meta de decorar esta vida.

No Ocidente, o Dharma também não é realmente dedicado à iluminação. Aqui, as pessoas praticam principalmente para se acalmarem, para se curarem, para relaxarem… para a assim chamada “automelhoria”.

O Buda não ensinou o Dharma para estes tipos de ganhos mundanos.

Se tivermos esse tipo de motivação, o budismo é um caminho que devemos evitar. O caminho budista é basicamente uma má notícia do ponto de vista do ego. Quanto mais praticamos e estudamos o budismo, mais chocante ele se torna para o nosso ego, mais ele irá contra o nosso egoísmo.

Então, devemos pensar muito cuidadosamente sobre o que é que nós queremos. Não é muito tarde, ainda podemos sair disso.


Dzongsar Khyentse Rinpoche

segunda-feira, 2 de novembro de 2020


Se conseguirmos ver que as coisas não são realmente verdadeiras – que elas são meras aparências, cuja natureza verdadeira está além de qualquer conceito sobre o que elas possam ser – nossa experiência na vida, tanto em relação aos acontecimentos bons quanto aos ruins, será aberta, espaçosa, e descontraída. Quando alguma coisa boa nos acontecer, seremos capazes de desfrutá-la de maneira relaxada, sem apego e sem medo de que ela acabe. Quando alguma coisa ruim acontecer, se reconhecermos sua verdadeira natureza, nós ficaremos descontraídos e nossa mente permanecerá imperturbável. Em resumo, conceber a verdadeira natureza da realidade promove paz interna, alegria autêntica e tranquilidade, que condições externas não conseguem perturbar.


Khenpo Tsultrim Rinpoche

domingo, 1 de novembro de 2020

O pensamento é tempo. O pensamento nasce da experiência e do conhecimento, que são inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. A nossa ação está baseada no conhecimento e por conseguinte no tempo, portanto o homem é sempre escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e por isso vivemos em conflito e luta constantes. Não há evolução psicológica. Quando o homem se tornar consciente do movimento dos seus próprios pensamentos, verá a divisão entre o pensador e o pensamento, o observador e o observado, o experienciador e o experienciado. Descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então há observação pura que é perceptibilidade sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Esta perceptibilidade atemporal provoca uma mutação radical, profunda na mente.

A negação total é a essência do positivo. Quando há negação de todas as coisas que o pensamento produziu psicologicamente, só nessa altura há amor, que é compaixão e inteligência.


Krishnamurti