terça-feira, 15 de setembro de 2020


As pessoas comuns, ao gerar pensamentos em resposta aos fenômenos que se apresentam, buscam prazeres e excitações com suas mentes. Mas para livrar-se desse apego aos fenômenos, devem abandonar as mentes. Se abandonam as mentes, os fenômenos revelam-se vazios. E se os fenômenos se revelam vazios, a mente se extingue.


Huang-Po

segunda-feira, 14 de setembro de 2020


Emmon: “Como chamamos a esse ensinamento?”
Nyuri: "Não existe ensinamento - muito menos um nome a ser dado a ele."

Emmon: “Se esse é o ensinamento, eu não o entendo.”
Nyuri: “Na verdade, não há ensinamento algum a ser compreendido. Não busque qualquer entendimento.”

Emmon quer transformar a compreensão em um objeto, em algo que ele possa se apegar e que não mudará. Apegar-se a algo e, assim, amarrar-se, é um hábito arraigado de cada um de nós.


Soko Morinaga

domingo, 13 de setembro de 2020


É impossível capturar e possuir as imutáveis e eternas palavras da verdade. É errado crer que a iluminação seja algo que, uma vez alcançada, torna-se a partir uma posse eterna. Pensar assim apenas indica que se está preso a palavras e experiências. Mas o que realmente se pode chamar de iluminação, é não se deixar capturar por nenhuma verdade, palavra ou experiência. Os textos zen, por isso, enfatizam continuamente a necessidade de lavar até mesmo o odor da iluminação junto com a sujeira do treinamento.


Soko Morinaga

sábado, 12 de setembro de 2020


Emmon: “De acordo com os ensinamentos, todos os seres sencientes já são budas iluminados.”

Nyuri: “Como não há vínculos, como podem existir seres libertados?”

Daoxin (580–651), o quarto patriarca zen chinês, chegou ao terceiro patriarca, Sengcan (morto em 606), e pediu para ser libertado. Sosan respondeu: "Quem o aprisionou?" Daoxin respondeu: "Ninguém". Sengcan perguntou: "Então por que você está querendo ser libertado?" Com isso, Daoxin teve um ótimo satori. Como a história ilustra, não há vínculos dois quais se livrar, nada está faltando e não há nada a ser ganho com a prática. Como já foi dito:

"O Grande Caminho é ilimitado, insondável e sutil".


Soko Morinaga

sexta-feira, 11 de setembro de 2020


O Caminho não tem nada a ver com conhecimento ou ignorância, disse Nan-chuan. Conhecimento é uma ilusão, ignorância é uma bagunça. Se você verdadeiramente alcança o Caminho sem consciência, como se estivesse em um vazio imensurável, não haverá obstáculo nem limite à sua frente. Como isso poderia ser afirmado ou negado?


Nan-chuan

quinta-feira, 10 de setembro de 2020


A verdadeira consciência é um estado de puro testemunhar, sem a mínima intenção de interferir naquilo que é testemunhado. Seus pensamentos e sentimentos, palavras e atos, podem também ser parte do acontecimento. Você assiste despreocupadamente a tudo, na pura luz da clareza e da compreensão. Você entende o que está se passando, porque aquilo não o afeta. Pode parecer uma atitude de desinteresse frio, mas, na verdade, não é assim. Uma vez nela, você perceberá que ama o que vê, seja o que for. Esse amor incondicional é a pedra-de-toque da Consciência Pura.


Nisargadatta Maharaj

quarta-feira, 9 de setembro de 2020


Se você deseja a iluminação, abandone completamente todo apego comum a ações e comportamentos, princípios e obrigações, opiniões e interpretações; seja como você era antes do nascimento de sua mãe e seu pai, separado de todos os fenômenos externos, não afundando no silêncio interno nem se estabelecendo naquilo que considera ser o vazio.

Olhe diretamente! Agora, enquanto você está ouvindo, me diga! O que é isso que ouve?


Bassui

terça-feira, 8 de setembro de 2020


O “portão do dharma através da mente” significa que todos os fenômenos só se estabelecem quando apreendidos pela mente. Eles passam a existir quando encontram nossos sentidos e quando nossos sentidos não os percebem, eles se vão. Você não deve transformar essa manifestação pura numa experiência sensorial.


Huang-Po

segunda-feira, 7 de setembro de 2020


A natureza iluminada não pode alcançada através da sabedoria, pois mesmo a sabedoria é um obstáculo. Se você compreender intuitivamente, estará em harmonia com o Caminho. Mas se tentar agir intencionalmente, apenas criará mais ignorância.


Subul

domingo, 6 de setembro de 2020


Você deve ser capaz de deixar ir não só os objetos dos sentidos, mas também sua observação da mente. Mas você deve saber também que, mesmo deixando que tudo vá, não há nada para deixar ir ou não! Se você tentar fazer essas coisas conscientemente, estará cometendo um grande erro.


Subul

sábado, 5 de setembro de 2020


As pessoas comuns apegam-se aos objetos dos sentidos. Os praticantes do Caminho apegam-se à mente. Abandonar a mente e os objetos dos sentidos é o verdadeiro dharma.


Huang Po

sexta-feira, 4 de setembro de 2020


A consciência é algo que acontece a você, e não em você, algo externo, estranho, superposto. Não é possível simplesmente se retirar da consciência, pois a própria ideia de se retirar está na consciência. Mas se você aprender a olhar para a consciência como uma espécie de febre pessoal e privada, na qual você está contido, dessa própria atitude virá a liberdade.


Nisargadatta Maharaj

quinta-feira, 3 de setembro de 2020


A lembrança de desejos não-satisfeitos no passado suga energia, que se manifesta como uma pessoa. Quando essa carga se esgota, a pessoa morre. Os desejos não-satisfeitos são levados para o próximo nascimento. A identificação com o corpo cria desejos sempre novos, que nunca chegam ao fim, a não ser que esse mecanismo de aprisionamento seja visto com clareza. A pessoa não renasce. Ela morre, e morre para sempre. Mas suas lembranças permanecem, e também seus desejos e medos. Eles fornecem energia para uma nova pessoa.


Nisargadatta Maharaj

quarta-feira, 2 de setembro de 2020


Não há nada a acrescentar ou remover na mente. Quando os pensamentos conceituais surgem, diz-se que a mente está contaminada, o que é um erro. A mente nunca se contamina. As ilusões surgem involuntariamente e da mesma forma elas se vão. Os seres parecem viver repetidamente o ciclo de nascimento e morte, mas eles jamais nascem realmente.


Subul

terça-feira, 1 de setembro de 2020


O bodhisattva pratica sem confiar na forma. Por isso sua prática é a prática da não-prática. Você pratica e, contudo, não parece que está praticando.


Thich Nhat Hahn