sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Perdendo a perfeita simplicidade do momento


Costuma acontecer bastante de, em qualquer coisa que estejamos fazendo — sentando, andando, levantando ou deitando –, a mente frequentemente é desconectada da realidade imediata e, no lugar disso, fica absorvida em conceitualização compulsiva sobre o o futuro ou o passado.

Enquanto estamos andando, pensamos sobre a chegada, e quando chegamos, pensamos na partida. Quando estamos comendo, pensamos sobre a louça e quando lavamos a louça, pensamos em ver televisão.

Essa é uma maneira bizarra de manter a mente. Não estamos conectados com a situação presente, mas estamos sempre pensando em outra coisa. Com muita frequência somos consumidos por ansiedade e desejo, arrependimentos sobre o passado e antecipação do futuro, perdendo completamente a perfeita simplicidade do momento.

B. Alan Wallace

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Exarcebar o problema


O apego egoísta, mais cedo ou mais tarde, criará problemas. Se estamos apegados às nossas próprias necessidades e desejos, se gostamos de nos sentir felizes e não gostamos de sofrer, algo pequeno que não dá certo transforma-se em algo gigantesco.

Preocupar-se com o problema, da manhã à noite, exarcebando-o, faz com que uma trinca em uma xícara pareça o Grand Canyon.

Chagdud Tulku Rinpoche
(em “Sementes de Sabedoria”)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um piquenique em uma tarde de domingo


A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo: não dura muito. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria.
Mas, se só ficarmos discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar onde, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango... que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo muda, a tarde cai, e o piquenique termina.

E tudo o que fizemos foi discutir e implicar uns com os outros

Chagdud Tulku Rinpoche
(em “Sementes de Sabedoria”)
(foto de david Lazar)


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A mente é um campo fértil

A mente é um campo fértil onde todos os tipos de planta podem crescer. Quando plantamos uma semente - um ato, uma palavra ou um pensamento -, em um dado momento, será produzido um fruto que irá amadurecer e cair na terra, perpetuando e incrementando aquela mesma espécie.

Chagdud Tulku Rinpoche
(em "Sementes de Sabedoria")


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O que precisamos mudar é a mente


Com frequência, achamos que o único meio de criar a felicidade é controlando as circunstâncias externas da nossa vida, consertando o que parece estar errado ou evitando tudo que nos incomoda.

O verdadeiro problema está, entretanto, em como reagimos a essas circunstâncias.

O que precisamos mudar é a mente, para assim mudarmos a forma de vivenciar a realidade.

Chagdud Tulku Rinpoche
(em "Sementes de Sabedoria")


domingo, 13 de janeiro de 2013

A rosa perfumada e o lixo fedorento


Lixo pode cheirar muito mal, especialmente matéria orgânica podre. Mas também pode se tornar um rico adubo para fertilizar o jardim. A rosa perfumada e o lixo fedorento são dois lados da mesma existência. Sem um, o outro não pode existir. Tudo está em transformação. A rosa que mucha em seis dias se tornará parte do lixo. Depois de seis meses, o lixo é transformado em uma rosa.

Quando falamos em impermanência, entendemos que tudo está em tranformação. Isso se torna aquilo e aquilo, isso. Observando profundamente, podemos contemplar algo e ver todo o restante ali contido. Não somos perturbados pela mudança quando vemos a interconexão e continuidade de todas as coisas. Não é que a vida de qualquer indivíduo seja permanente, mas que a vida em si continua.

Thich Nhat Hanh
(em “Momento Presente, Momento Maravilhoso”)


sábado, 12 de janeiro de 2013

A dificuldade não está na prática


As pessoas costumam reclamar que a prática (espiritual) é difícil, que envolve muito esforço, que não conseguem se adaptar, podendo pensar que isso não é para elas… Mas a dificuldade não está na prática em si, está nos hábitos das pessoas. Pegue por exemplo os fumantes. Eles reclamam que não fumar é muito difícil. Para as pessoas que não fumam, não é nem um pouco difícil. É importante ter claro na mente que a dificuldade não está na prática, mas nos hábitos que fomos cultivando e que nos impedem de praticar.

Jigme Khyentse Rinpoche

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Bondade do coração


Por doze anos, um dos maiores estudiosos e praticantes da Índia, Atisha, estudou muitos textos, coletâneas enormes de ensinamentos e comentários sobre a doutrina do Buda e as realizações dos grandes lamas. Depois de seus anos de estudo, chegou a conclusão de que, sem exceção, todos os métodos — e o Buda ensinou 84.000 métodos para propiciar a transição da mente ordinária para a extraordinária — se resumiam em um ponto essencial: a bondade do coração.

Chagdud Tulku Rinpoche
(em “Portões da Prática Budista“)
foto de David Lazar

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A iluminação do Buda


A iluminação do Buda não foi, primeiramente, uma descoberta religiosa. Não foi um encontro místico com Deus ou com um deus. Não foi o recebimento de uma missão divina para espalhar a “Verdade” de “Deus” no mundo.

A iluminação do Buda foi, na verdade, uma experiência direta, exata e ampla da natureza final e da estrutura total da realidade. Foi o cume dos ideais manifestos de qualquer tradição de exploração filosófica ou investigação científica de todos os tempos. “Buddha” não é um nome próprio; é um título, significando “desperto”, “iluminado” e “evoluído”. A iluminação de um buddha é uma onisciência perfeita.

A mente de um buddha é o que teístas imaginaram como seria a mente de Deus: totalmente consciente de cada detalhe de tudo em um universo infinito, totalmente desperta para tudo — assim, por definição, inconcebível, incompreensível para a consciência finita, ignorante e egocêntrica.

Robert A.F. Thurman,
(em “Essential Tibetan Buddhism”)


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

No que você se transformou


Você pensa saber quem é e de repente descobre que se transformou no que outros querem enxergar em você, e pouco a pouco vai ficando mais estranho para si mesmo, e sua própria sombra é o espião que segue seus passos, e em seus olhos você vê o olhar dos que o acusam, dos que mudam de calçada para não cumprimentá-lo e olham-no de soslaio e cabeça baixa ao cruzarem com você.

Antonio Muñoz Molina

domingo, 6 de janeiro de 2013

Saber viver esta vida

Não há nada tão belo e legítimo quanto agir como um homem deve agir, nem ciência tão árdua como saber viver esta vida. E de nossas doenças a mais selvagem é desprezar nosso ser.

Michel de Montaigne
(em "Os Ensaios")

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Espelho

O verdadeiro espelho de nossos discursos é o curso de nossas vidas.

Michel de Montaigne
(em "Ensaios")


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

É necessária a angústia


(...) o Zen não é para curiosos nem para pessoas que esperam resultados instantâneos ou uma panacéia, o Zen é para pessoas com a cabeça em chamas. Então tem que haver angústia, porque só a angústia existencial mobilizou Buda para prática, porque estava angustiado largou mulher, filho e foi para o meio da floresta e treinou, só por isso. Então é necessária a angústia, a inquietude e o desejo de se libertar. Por isso esse sofrimento é um atalho para a realização espiritual. E um corpo humano é a grande oportunidade, porque os homens tem as duas coisas, prazeres e dores. 

Monge Genshô
(em seu excelente blog "O Pico da Montanha é onde estão os meus pés"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Imagens distorcidas

Nós nos aprisionamos nas imagens distorcidas que fazemos da realidade.

Thich Nhat Hanh
(em "Transformações na Consciência")