Você já olhou para uma árvore sem uma única palavra de gosto ou desgosto, sem uma única imagem? O que acontece então? Pela primeira vez, você vê a árvore como ela é e vê sua beleza, a cor, sua profundeza e vitalidade.
Krishnamurti
- Lições dos Mestres para a minha vida.
Krishnamurti fez outra afirmação impressionante naquele dia, durante o almoço: "Senhor, eu não sei o que é fome!". Perguntei-lhe: "O que você quer dizer? Se não comer por muito tempo você não sente desejo por comida?" Ele respondeu: "Não, apenas me torno mais fraco; então me alimento para proteger o corpo".
O que traz compreensão é o amor. Quando seu coração estiver cheio, então você ouvirá o professor, o pedinte, a risada das crianças, o arco-íris e a tristeza do homem. Sob cada pedra e folha, aquilo que é eterno existe; mas não sabemos como buscá-lo. Quando ama, você está mais perto da verdade, pois o amor gera sensibilidade, vulnerabilidade. O que é sensível é capaz de renovação. Então a verdade surgirá. Ela não pode vir se sua mente e seu coração estiverem sobrecarregados, pesados com ignorância e animosidade.
Jiddu Krishnamurti
A Visão Tradicional (O Dualismo)
Antes de Dogen, a expressão "flores no céu" vinha de uma antiga metáfora médica indiana. Imagine uma pessoa com uma doença nos olhos (como catarata ou moscas volantes) que olha para o céu azul e enxerga pontos flutuantes, formas e cores que parecem flores.
• Para o budismo tradicional inicial, o céu limpo representava a realidade última/iluminação e as flores flutuantes representavam a ilusão/delírio.
• A lógica era simples: cure os olhos (atinja a iluminação), as flores falsas desaparecerão e você verá apenas o céu verdadeiro.
A Quebra de Paradigma de Dogen (A Não-Dualidade)
Dogen rejeita essa visão por considerá-la dualista. Se você diz que o céu é real e as flores são falsas, você está dividindo o universo em dois. No fascículo Kuko, ele subverte o ensinamento através de três argumentos centrais:
1. As Flores e o Céu são Inseparáveis
Dogen argumenta que não existe um "céu vazio" isolado das flores. Onde haveria um céu se não houvesse fenômenos para preenchê-lo? Ele escreve que as flores no céu não são uma ilusão que surge no céu, mas sim a própria atividade e expressão do céu. Tentar encontrar a iluminação rejeitando o mundo cotidiano é como tentar encontrar o oceano rejeitando as ondas.
2. Quem tem os "Olhos Doentes"?
Na visão comum, a doença nos olhos é um defeito. Dogen inverte isso: os "olhos doentes" são, na verdade, os olhos humanos manifestando a vida. Estar vivo, ter desejos, passar pelo nascimento, velhice, doença e morte é a nossa condição. A iluminação não consiste em se tornar um ser anestesiado ou um céu perfeitamente vazio e sem vida. Consiste em perceber que a própria "doença" (a nossa existência humana e senciente) é o palco onde a iluminação acontece.
3. A Impermanência é a Própria Realidade
Para Dogen, tudo o que o budismo antigo chamava de "ilusão" por ser impermanente — as nossas emoções, as estações do ano, as flores que murcham, os pensamentos que passam — é a verdadeira natureza da realidade. As flores no céu flutuam, mudam e desaparecem. É justamente essa impermanência e constante transformação que Dogen chama de A Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.
O Impacto Prático no Dia a Dia
Ao quebrar a barreira entre ilusão e realidade, o fascículo Kuko traz uma tremenda libertação prática:
• Fim da busca por um ideal místico: Você não precisa escapar da sua mente barulhenta, do seu trabalho ou dos seus problemas para encontrar o sagrado.
• O cotidiano é o Buda: A sua vida confusa, com seus altos e baixos (as flores flutuantes), não é um obstáculo para a iluminação; ela é a própria iluminação se expressando de forma dinâmica. O erro não é ver as flores no céu, o erro é se apegar a elas ou tentar ignorá-las.
Essa desconstrução de Dogen muda completamente a forma como encaramos nossos próprios erros e crises cotidianas.
Ajahn Chah usava a metáfora de uma xícara de vidro para ensinar o não-eu (Anatta). Ele dizia: "Para mim, este copo já está quebrado. Como sei que ele inevitavelmente vai quebrar um dia, eu aproveito ele agora, mas não me apego a ele como uma propriedade fixa".
Ele aplicava isso ao ego. Nós sofremos porque tentamos segurar o "eu" como se ele fosse permanente. Quando entendemos que o "eu" é mutável e flui junto com o ambiente, paramos de lutar contra o mundo.
De algum modo, o sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido — como o sentido de um sacrifício. Certamente que não foi uma terapia no sentido próprio da palavra, visto que, em primeiro lugar, o seu desespero não era uma doença, e em segundo lugar, eu não podia mudar o seu destino, não podia ressuscitar a mulher. Mas, naquele momento exato, consegui alterar a sua atitude em relação ao seu destino imutável. A partir desse dia, ele pôde, pelo menos, ver um sentido no seu sofrimento.
Pertence aos postulados fundamentais da logoterapia que a principal preocupação do homem não é encontrar o prazer ou evitar a dor, mas sim encontrar um sentido para a sua vida. E é por isso que o homem está disposto até a sofrer, na condição, evidentemente, de que o seu sofrimento tenha um sentido.
Viktor Frankl
Certa vez, um clínico geral de mais idade veio consultar-me por causa de uma depressão muito profunda. Ele não conseguia superar a perda de sua mulher, que falecera fazia dois anos e a qual ele amara acima de tudo. Bem, como poderia eu ajudá-lo? O que deveria dizer-lhe?
Pois bem, abstive-me de lhe dizer fosse o que fosse, confrontando-o, antes, com uma questão:
— Diga-me, doutor, o que teria acontecido se tivesse sido o senhor a morrer primeiro e a sua esposa a sobreviver-lhe?
— Oh — disse ele —, para ela teria sido terrível; teria sofrido imenso!
Ao que repliquei:
— Pois bem, doutor, esse sofrimento foi-lhe poupado, e foi o senhor que a poupou a esse sofrimento; mas agora tem que pagar por isso, sobrevivendo-lhe e chorando a sua falta.
Ele não disse uma palavra, limitou-se a apertar-me a mão e retirou-se calmamente.
Viktor Frankl
Segundo Viktor Frankl, os três pilares básicos da logoterapia (frequentemente chamados de a "tríade fundamental" ou pressupostos básicos) são: